Gastroenterologia

Nutrição Precoce na Pancreatite Aguda: O Veredito do Estudo GOULASH

Pancreatite aguda: Nutrição precoce e agressiva pode ser prejudicial. Novas diretrizes apontam para abordagem cautelosa e gradual no tratamento de pacientes críticos.

Nutrição Precoce na Pancreatite Aguda: O Veredito do Estudo GOULASH

Nutrição na Pancreatite Aguda: Um Novo Paradigma

Por muito tempo, a abordagem nutricional em pacientes com pancreatite aguda em unidades de terapia intensiva foi um ponto de controvérsia entre as áreas de gastroenterologia e terapia intensiva. A principal dúvida residia em determinar o volume e o momento ideais para iniciar o suporte nutricional. A questão era se uma alta ingestão calórica nas primeiras horas poderia proteger o organismo contra a falência de órgãos ou, inversamente, agravar a inflamação já presente no sistema digestivo.

O Estudo GOULASH e Suas Revelações

Um marco significativo nesse debate foi o ensaio clínico randomizado, multicêntrico e duplo-cego, conhecido internacionalmente como Estudo GOULASH, concluído e publicado no início de 2026. Este estudo buscou oferecer respostas definitivas para o dilema da nutrição precoce em pacientes com pancreatite aguda. O protocolo comparou duas estratégias:

  • Nutrição Enteral de Alta Caloria Imediata: Um grupo de pacientes recebeu uma dieta enteral com 30 kcal/kg/dia logo no início do tratamento.
  • Estratégia Conservadora: Outro grupo seguiu um protocolo de introdução calórica gradual, escalonando a nutrição ao longo de quatro dias.

A premissa de que um aporte energético elevado logo no início seria protetor para o paciente foi rigorosamente testada.

Evidências Consolidadas para Novas Diretrizes

Os dados finais do Estudo GOULASH trouxeram resultados surpreendentes e contrários às crenças anteriores. A oferta hipercalórica precoce não resultou em redução da mortalidade nem diminuiu a severidade do quadro de pancreatite aguda. Mais alarmante, observou-se que essa abordagem resultou em taxas estatisticamente maiores de falência múltipla de órgãos e em episódios mais frequentes de recaída da dor abdominal.

Essas evidências, consideradas inegáveis, levaram à consolidação de novas diretrizes clínicas. A prática médica atual recomenda, portanto, que o reinício da alimentação em pacientes com pancreatite aguda seja conduzido de maneira extremamente cautelosa e gradual, priorizando a segurança e a recuperação do paciente.

Referência: Márta, K. et al. "High versus gradually increasing energy nutrition in the early phase of acute pancreatitis (GOULASH): a multicentre double-blind randomised clinical trial". Gut Journal (2026).

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