Cardeal De Mendonça Alerta para Fragilidade Mental de Jovens e Propõe Ações Educacionais
Saúde mental de jovens em risco: Vaticano e líderes ibero-americanos unem forças em busca de soluções educacionais e preventivas.

O Cardeal José Tolentino De Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, abordou a crescente preocupação com a saúde mental de jovens em um congresso internacional realizado no Vaticano. A conversa com a mídia vaticana, à margem do evento, ressaltou a necessidade de políticas de prevenção e apoio para jovens e suas famílias diante de problemas generalizados.
Identificando Vulnerabilidades nos Espaços Educacionais
O Cardeal De Mendonça destacou que o principal desafio atual é identificar as vulnerabilidades presentes nos ambientes educacionais, particularmente o sofrimento mental entre os alunos. Ele traçou uma linha de trabalho para todos os envolvidos na área educacional durante o Congresso Internacional "Mapas de esperança para uma agenda educacional regional: saúde mental, tecnologias digitais e educação". O encontro, que ocorreu nos dias 29 e 30 de maio na Casina Pio IV, foi organizado pelo Dicastério para a Cultura e a Educação, pela Pontifícia Comissão para a América Latina e pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).
Educação como Causa Comum e a Magnitude do Desafio
O Cardeal convidou a comunidade a encarar a educação como uma "causa comum", uma paixão de todos, onde cada geração tem o dever de transmitir valores, conhecimentos e o sentido da vida para a seguinte. Ele enfatizou que a educação deve permanecer uma dimensão humana, com o empenho de todos. A magnitude do desafio é evidenciada pelo fato de que um em cada sete estudantes entre 10 e 19 anos possui problemas de saúde mental diagnosticáveis. Essa estatística revela uma vulnerabilidade generalizada não apenas entre os estudantes, mas também entre professores e famílias.
Dupla Estratégia: Prevenção e Apoio
Para enfrentar essas vulnerabilidades, o Cardeal De Mendonça propôs uma estratégia dupla que requer a colaboração de esforços. A ideia é desenvolver políticas de prevenção para antecipar situações de desamparo social e, ao mesmo tempo, criar formas de ajuda e apoio para aqueles que sofrem. Ele ressaltou que o sofrimento não tem idade, e crianças e adolescentes podem vivenciar dores tão intensas quanto adultos em um contexto escolar. É fundamental que a sociedade discuta e reflita sobre o assunto em conjunto.
Envolvimento Econômico e Programas Regionais
Emilce Cuda, secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina, destacou a necessidade do envolvimento econômico de instituições financeiras locais. O objetivo é desenvolver um programa em nível regional com os governos ibero-americanos, contando com o apoio de bancos regionais, para criar uma unidade de trabalho focada na saúde mental dos jovens.
Impacto da Pandemia e a Ameaça Digital na América Latina
Mariano Jabonero, secretário-geral da OEI, apontou que a educação dos jovens e sua saúde mental são problemas complexos na América Latina, especialmente após a pandemia de Covid-19. Ele mencionou uma oferta educacional insatisfatória em termos quantitativos e qualitativos, que gera problemas de bem-estar e sofrimento. Durante a pandemia, 185 milhões de crianças e jovens ficaram confinados, muitos sem conexão externa e em contextos de pobreza, o que resultou em situações "explosivas".
Outro fator de emergência é a ameaça que a internet representa para muitos jovens, que se tornam vítimas em diferentes níveis. Jabonero explicou que a conectividade digital nem sempre é uma janela para o conhecimento, podendo ser uma porta para o perigo e o risco. Ele defende que a saúde mental e o bem-estar mental devem ser abordados pelos sistemas educacionais, tornando-se parte da ação educativa. Jabonero fez um apelo para que governos e cidades construam um modelo educacional que preste atenção a esses fatores de sofrimento e dificuldade.
Diálogo e Intercâmbio como Base de Trabalho
O diálogo e o intercâmbio entre diferentes realidades educacionais, públicas e religiosas, já constituem uma excelente base de trabalho. Anabella Giracca, ministra da Educação da Guatemala, comentou que esses intercâmbios internacionais permitem compartilhar experiências e aprender uns com os outros. Para países com fragilidades sociais e econômicas, como a Guatemala, marcada pela pobreza e discriminação, esses espaços são cruciais para enfrentar a situação e perceber que não estão sozinhos, podendo contar com apoio mútuo.